A revolução do ventre

Por Camila Aguiar*

Quando recebi o convite da Maternativa para ter aqui um espaço para falar com mães empreendedoras, fiquei honradíssima.

Afinal, esta rede incrível que se formou pelas mãos, coração e idéias é, sem dúvida, um ganho substancial na luta por conquista de direitos das mulheres no Brasil.

Em geral, neste espaço, vou dividir com vocês reflexões sobre questões que compreendem o Empreendedorismo Materno e a Ética. Escolhi este recorte por muitas razões, mas principalmente porque entendo que esta rede, e em nós, as maternas que a compõem, temos em nossas mãos mais do que a transformação individual ou familiar que a nossa iniciativa empreendedora nos traz. Nós estamos ensinando a esta sociedade o que é que queremos como transformação na relação de trabalho no tocante às mulheres, em especial às mulheres que optaram por serem mães.

Mas antes de tudo, eu preciso me apresentar, afinal não dá para estabelecer um diálogo com vocês sem que saibam de onde é que minha fala vem, de que lugar social ela ecoa, então nestas próximas poucas linhas vou me apresentar:

Tenho 35 anos, sou negra, feminista, mãe de duas meninas, em vias de concluir a graduação em Sociologia e Política e recentemente formada como Doula. São estas referências que me oferecem lentes para que eu leia o mundo e suas teias sociais, tão complexas.

O meu existir social não se limita em si mas constantemente dialoga com as múltiplas referências que me cercam, em especial pelas mulheres inspiradoras que aqui estão. Conhecer e pertencer a uma rede feminina e transformadora como a Maternativa me enche de orgulho. Enxergo que esta nossa rede está dando uma lição ao mundo, uma lição simples e essencial, mas absolutamente nobre: ser trabalhadora e ser mãe com todas as especificidades que estas condições exigem e ainda assim serem cidadãs portadoras de plenos direitos. Nosso movimento de saída do mundo corporativo ou das relações de trabalho tradicionais dá um recado bem sonoro ao mundo que nos cerca, que não aceitamos permanecer em um modelo que não nos favorece no exercício da maternidade neste modelo atual que o mercado de trabalho nos oferece. Clamamos por um modelo que atenda nossas demandas e saímos em busca de relações de trabalho mais respeitosas, mais cooperativas, e portanto mais éticas. E motivadas por isso, nos jogamos na aventura de empreender a partir das demandas que temos ao nos tornarmos mãe.

Encontramos no Empreendedorismo Materno um caminho de coexistência entre sustento, maternidade e realização profissional, e vamos mostrar ao mercado que “agora”  (e desde sempre) é que são elas.

Quanta coisa, não é?

Por isso, no seu movimento empreendedor não perca de vista o compromisso ético com um mundo mais justo, cooperativo e de mais oportunidades para todas. Não desconsidere as relação de gênero, de classe e de raça que intrísicamente estão presentes em seu modelo de negócio, na linda onda que o seu movimento individual faz reverberar.

A responsabilidade é grande, mas nós também somos!

Não duvidem, depois da revolução em nosso ventre, a revolução está vindo através de nossas mãos.

Um abraço repleto de sororidade e até a próxima conversa 🙂

Camila Aguiar

Camila Aguiar, 35 anos, Negra, Feminista. Mãe da Luísa e da Laura, Socióloga em formação, Doula.

Posts
Deixe um comentário