N. 1 – A REDE e o que a Natureza vem nos ensinar

Por Carolina Paixão*

O ano de 2015 foi incrível para mim. E o sentimento é de que ele começou em 2014 porque nesse ano minha filha nasceu. E a partir desse nascimento muitos outros vieram. Nasceu uma mãe, um pai, uma nova família. Nasceu uma nova configuração de amigas, na maioria mulheres, mães e por isso, uma nova forma de enxergar o feminino. Nasceu uma nova forma de trabalhar a partir de uma antiga amizade e uma nova perspectiva. Nasceu um novo lar (mudei de cidade, comprei uma casa na praia com um quintal, nasceu um sonho). A sensação é que uma coisa foi costurando a outra e formando um novo tecido que não tem a pretensão de ter forma, mas só de crescer.

E no meio de tudo isso fui apresentada ao projeto de duas dessas novas amizades, o Maternativa. Eu vi nascer e achei incrível. Uma REDE de mulheres/mães que criaram seus próprios negócios a partir da vontade de ter tempo de qualidade com seus filhos, assim como eu. E o que mais chamou atenção da bióloga aqui é a idéia de ser uma REDE de mães empreendoras. Como essa desse tecido que foi costurando minha vida. Talvez você até se identifique com essa história. Sabem aqueles acontecimentos, aqueles encontros que vão dando sentido a vida? Isso se explica, na verdade, porque o conceito de REDE foi criado a partir da observação dos fenômenos da natureza e permeia todos os aspectos de nossa vida. Fenômenos físicos dos encontros, das relações, de sistemas, dos quais ouvimos mais falar dos sociais. As redes sociais. Que nos permitem construir uma TEIA infinita de relações, sociais, econômicas e porque não, de empreedorismo.

E por falar em TEIA, Frijot Capra, um físico do qual sou fã, nomeia essa REDE como TEIA DA VIDA. Com bases nos princípios da ecologia profunda e na visão sistêmica, Capra nos explica como é importante entendermos que todos os fenômenos estão interligados, fazendo parte de um grande sistema, que possui subsistemas que trocam energia, se comunicam, são interdependentes e estão encaixados em processos CÍCLICOS da natureza. E o mais interessante é que a característica chave dessas REDES é a autogeração. Tudo isso partindo da observação da natureza, dos ecossistemas, das REDES de vida.

E foi isso que os criadores do Facebook sacaram, por exemplo! Que conectar as pessoas através de uma REDE a alimentaria em proporções planetárias! Uma REDE que se autoalimenta na verdade, pelos seus clientes. Que cresce a medida em que crescem as possibilidades de relações sociais. Começam com amizades, antigas amizades, grupos, fanpages, eventos e a possibilidade incrível de compartilhamento! E se as mulheres/mães empreendedoras sacarem esse potencial, a REDE autoalimentará seus negócios. Se uma mãe CONSOME, indica, compartilha o trabalho de outra mãe seu próprio negócio tende a se sustentar. E é isso que eu acho importante sacarmos!

Como as relações que estamos criando a partir dessa rede alimentará seus negócios. Relações de CONSUMO, venda, troca, cliente/fornecedor, transporte, serviços, indicações, valoração do produto, marketing, criação, concorrência, mão de obra, recursos, temas recorrentes nessa REDE. A principio tudo isso pode ser bem confuso para você. Porque durante muito tempo fomos criados para nos afastar da natureza e seus princípios. Ir no mato é perigoso, escuro e tem animais terríveis. Nossos parques são cercados porque o homem devasta. Como se não fizéssemos parte. Como se não dependêssemos de seus recursos. Por isso, os conceitos de transferência de energia, de interdependência são difíceis de acessarmos na prática. Tudo isso inclusive caminha junto com uma repressão histórica do feminino.

Natureza feminina oprimida. Mas esse é tema para outro papo.

Na verdade, eu estou construindo essa TEIA de pensamento para dizer que é, a partir dela, que estou aqui para conversar com vocês sobre Consumo Consciente e a partir dela, falar sobre as relações de consumo para que esses paradigmas que dissociam, separam, afastam, nos aproxime, nos conecte e criem o tecido ecológico do qual fazemos parte e que dele depende para vivermos melhor agora e no futuro.

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