Quer ganhar dinheiro? Colabore! [Parte 1]

Por Thaiz Leão*

Mais que uma tendência bonitinha de consumo, o colaborativismo é a nossa melhor arma contra o grande e impessoal mercado das “grandes marcas”.

Mas pra não começar com aquele “papo-chato-de-capitalismo”, vou falar assim: do jeito que tá, não dá. Ok?

– Mas Thaiz, se do jeito que tá não dá como que faz pra ficar bom pra mim que tô aqui na labuta?
A gente muda junto amiga(o) ;).

Colaborativismo é essencialmente um sistema de colaboração, ou seja, uma rede em que partes individuais trabalham cooperadas, e que fique claro: pra ser colaborativo só é preciso ter a partir de dois componentes em comum acordo de atividade.

E por que eu falo de componente e não de indivíduo? Por que esse tal conceito de colaboração é grande.

Pense no seu corpo, ele nada mais é do que bilhões de partículas que se somam de menor a maior número no objetivo comum de formar você. Essas partículas sozinhas não significam nada mas em número suficiente elas se tornam essenciais para a sua sobrevivência. Isso é o que eu chamo de sistema cooperado complexo, ou seja, é um agrupamento não necessariamente hierárquico de muitiiiissimas pequenas partes que cumprindo objetivos diversos alinham a forma do existir de um todo.

Mas algo disso pode ser pensado em outros sistemas? Pode sim. Observe que com o mundo não acontece muito diferente do que acontece com o seu corpo. Nós nos agrupamos de menor a maior número em comunidades com aproximações diversas como por exemplo: geográficas, culturais, etárias, étnicas, filosóficas… assim de perto pode só parecer um grupo de mães do bairro dividindo coisas mas de longe somos parte do grande e, aparentemente, desordenado sistema que formamos, o que vem a ser a humanidade.

Quis explicar isso por que queria dizer outra coisa: na economia colaborativa é fundamental enxergar como as coisas realmente são por que elas são como são por nossa causa. Pãn.

Num sistema colaborativo cooperado, com o objetivo comum do bem estar social, nós teríamos que estar atentos a todos os tipos de valores que as coisas agregam para entender e respeitar o esforço que nelas são investidos e assim não deixar ninguém a ver navios, o que inclui você.

Por exemplo: se um coco verde custasse R$0,50 a unidade, não iria ser incrível? Ia não. Um coco é um coco mas um coco quando vira produto ele vira também o Moacir. Sabe quem é o Moacir? Nem eu. Só sei que sempre que dá a época do dito coco o Moacir, que é pai e pequeno produtor, sobe no tanto que der de palmeiras pra tirar o que aguentar carregar e revende pra uma empresa pequena ou média, que revende pra uma empresa grande e que por sua vez distribui o coco no Brasil inteiro. O trabalho é tanto que assim como eu você vai achar que o Moacir merece mais que R$0,03 por coco apanhado, não é?

Como consumidores não nos basta apenas decidir sobre o barato ou caro, ou nos rendermos infantilmente ao assédio de uma cultura de consumo que preza o efêmero. A vida é para sempre (pelo menos essa é a ideia) e é ela que importa, por isso o raciocínio básico e (por enquanto) utópico é: todo produto pode e deve beneficiar a sociedade em que vivemos e de maneira mais direta a pessoa que o produz.

(suspiro)
– O colaborativismo é lindo não é?
(pausa dramática)
– Mais ou menos.

Hoje, agora e nesse instante nós vivemos em uma economia colaborativa. O problema é que ela é mal orientada.

Colaborativa por que como dito lááá em cima essa humanidade é a soma de nóis tudinha/tudinho como ser humano. E mal orientada por que hoje nossa colaboração é a favor de um sistema centralizador de renda ($$$) que privilegia poucos em detrimento da desvantagem de muitos, o que eu não acho certo e talvez você não vá achar também.

Veja no Brasil, por exemplo, segundo o último senso do IBGE 10% da população reteve 90% de todo nosso dinheiro. A conta já tá feia aí, né? Mas não para que o raciocínio continua e esses 10% de dinheiro que sobram pra dividir entre os outros 90% da população não são divididos igualmente, só 70% disso deve parar na classe C, até a classe D e E ver alguma coisa…. vish, haja palmeira.

Por isso entenda, centralizar renda é reforçar a dominância de grandes marcas no mercado, eu não tô te dizendo que a sua vizinha faz celulares melhores que os da Apple, obviamente tem coisa que só o agrupamento de pessoas e maquinário especializado conseguem fazer, o que eu tô te falando é que quando você precisar de uma bolsa nova ou for comprar um sabonete ou for trocar um armário em casa existe um jeito de fazer isso de maneira mais justa com a humanidade: você pode comprar dos pequenos negócios ou melhor ainda você pode comprar dos pequenos negócios perto de você.

E sabe porque eu fiquei aqui esses parágrafos todos falando de consciência de consumo pra vocês que na maioria são as próprias empreendedoras? Simples. Por que vocês tem mais chances de alterar uma cultura de mercado também como consumidoras do que ‘apenas’ como donas de um negócio.

A lei é: ofertar e consumir, ou seja, nossa economia é baseada em uma responsabilidade dividida entre quem oferece e quem consome. Não é uma divisão exata, o marketing e a publicidade não estavam aí de bobos esse tempo todo, mas é sempre pelo menos 1% nossa culpa.

Por isso, você empreendedora diferentona (rainha do endomarketing, musa da sustentabilidade, 15 mil likes no facebook) conscientize-se do seu papel na oferta mas nunca tire o olho e o coração do seu papel no consumo.

Por que um ser social, é um ser total.

;).

Thaiz Leão

Thaiz Leão, Mãe, designer, ilustradora e velha enrustida. Autora da Página Mãe Solo e fundadora do coletivo Nós. Quando pode estuda e dedica-se ao melhor aproveitamento da potência humana. Por aqui fala de colaborativismo e das questões que o cercam, por ai a gente já não sabe. =D

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