Façamos!

*Por Fernanda Favaro

Pesquisar sobre o empreendedorismo materno no mundo dá vontade imediata de cantar uma parodiazinha tosca da música Façamos (Vamos Amar), versão de Chico Buarque para Let´s Do It, de Cole Porter:

“Mães lá da Itália, fazem.

No Canadá, Reino Unido e EUA, fazem.

E na África do Sul, Hungria e Chile? Também fazem!”

As mães estão fazendo por toda parte. Empreendendo, conectando-se, trocando conhecimentos e experiências, tecendo a tal economia colaborativa e expandindo o conceito de momtrepreneur – junção espertinha das palavras mom (mãe) e entrepreneur (empreendedora).

E, aparentemente – uma vez que ainda não existe nenhuma pesquisa global que comprove esse fenômeno – todas vêm motivadas basicamente pelo mesmo: a possibilidade de trabalhar com independência, respeito, criatividade e paixão, sem deixar de estar presente na vida e educação dos filhos.

Alguns fatos que ilustram um pouco desse formigueiro global de mulheres e mães botando pra quebrar:

Em meados de 2010 havia cerca de 7 milhões de mães empreendedoras só nos Estados Unidos, de acordo com a National Association for Moms in Business. Elas respondiam por cerca de 10% do total de mães americanas.

No Reino Unido, em 2013, havia mais de 300 mil negócios tocados por mães e este número crescia “dramaticamente” de acordo com a plataforma Mumpreneur UK. Por anos, estas companhias estariam contribuindo com algo em torno de 7 bilhões de libras à economia inglesa.

Segundo a Global Entrepreneurship Monitor África do Sul de 2014, as atividades empreendedoras de estágio inicial motivadas por oportunidades haviam registrado um incremento de 64% (2013) para 71% (2014) entre as mulheres do país.

Em cinco anos, o aumento de mulheres empreendedoras foi de 10% no total e 30% no grupo entre 35-45 anos, na Suécia, ao mesmo tempo em que o número de homens empreendedores diminuiu progressivamente em todos os grupos etários. E isso em um país onde a licença para mães e pais é de mais de um ano, o acesso à creche e pré-escola é universal e praticamente gratuito, e as mães são blindadas contra discriminação e assédio no mercado de trabalho.

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) desenvolvido em 9 países da América Latina e Caribe a partir de entrevistas com 420 pequenas empreendedoras e especialistas neste ecossistema de negócios mostrou que a maioria dela iniciou suas empresas impulsionadas pela oportunidade, e não pela necessidade. Elas listaram a independência econômica, a paixão e a geração de empregos para suas comunidades como algumas de suas principais motivações.

No Brasil, as mulheres superaram os homens como novos empreendedores (com menos de três anos e meio de atividade) em 2014, alcançando 52% do total (É nóis, manas!). Os dados são do Sebrae a partir da Global Entrepreneurship Monitor. Ah, e o Sebrae também identifica a possibilidade de equilibrar trabalho e vida pessoal e em família – e não a falta de oportunidades – como o maior motivador deste aumento.

Ainda de acordo com o Sebrae, 45% das microempresas individuais (MEI) já são chefiadas por mulheres e mães!

Em 2012, a Câmara de Comércio e Indústria da Austrália divulgou a existência de pelo menos 700.000 pequenos negócios chefiados por mulheres, sendo que quase metade seria tocada a partir da própria casa. O grupo afirma que as mães empreendedoras são o “setor que cresce mais rápido no país.”

Nos últimos dez anos, dezenas de novos grupos de mães empreendedoras surgiram em diversos países – entre eles o nosso querido Maternativa, longa longa vida! Alguns dos mais tradicionais estão nos Estados Unidos e no Canadá, tais como o Working Mother e o Mompreneur, os quais realizam até mesmo congressos, prêmios e pesquisas sobre o tema. Benza Deusa!

No meu próximo post, vou falar de algumas redes de momtrepreneurs, mumpreneursmadres emprendedoras e mães trabaiadêras muito bacanudos desse nosso Maternomundo.

São redes como o Maternativa, que oferecem apoio, formação, informação, trocas e fortalecimento para mães em diferentes estágios do empreendimentos. Arranjos orgânicos, afetuosos, horizontais e colaborativos que já podem ensinar muito a esse novo mundo que a gente deseja, onde o tal capitalismo selvagem será (Oxalá!) apenas uma página triste da História.

Aguarde! É de dar água na boca.

Fernanda Favaro

Fernanda Favaro, 38 anos, é jornalista e tradutora radicada em Estocolmo. Feminista em construção e desconstrução. Mãe da Nina, 15 anos, da Liv, 1 ano e 8 meses, e da Milly, a gata, 4 anos.

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