Disruptivo

Por Marina Ribeiro*

Sei que nada será como antes, amanhã.
Milton Nascimento

Boomers foram criados para “se estabelecer”. A mulher nascida até a década de 60 deveria crescer, casar e ter filhos. O homem, crescer, encontrar um emprego, no qual permaneceria, se fosse competente e tivesse sorte, o resto de sua vida. Era uma geração de um casamento, um emprego, muitos filhos.

As mulheres não tinham carreira. Seriam professoras, desde que isso não atrapalhasse o casamento. Manter o casamento saudável era a função primeira a que ela se dedicava. Os filhos eram a segunda ocupação principal. Faz um certo sentido, uma vez que o casamento era a sua forma de sustento. Elas passavam da guarda do pai para a guarda do marido, que assumiria a função de sustentá-las.

Assim foi por muito tempo. Um sistema bastante arraigado. Qualquer quebra era motivo de preocupação. Havia algumas pioneiras, mas a maioria cumpria o papel. Tudo engessadinho.

Foi a partir dos anos 60 que começamos a quebrar este padrão, mas acredito que só nos anos 80 assumimos com empenho nosso lugar na sociedade. Começamos a cursar universidades, adentramos, enfim, os redutos masculinos.

disruptivoVeja um fato curioso. Eu cursei a Universidade Federal do Paraná nos anos 80, setor de tecnologia. Os banheiros da universidade eram todos masculinos! Todos tinham o mictório de parede. Metade deles foram designados para as mulheres, mas ainda tinham o mictório. Quero dizer que os prédios foram construídos para alunos homens, apenas! E assim ficaram até os anos 80. Não sei se foram reformados depois disso.

Para alguém que viveu, ou mesmo que foi criado, nesta concepção de vida e sociedade é mais difícil aceitar mudanças. Todos, em geral, temem o novo, mas a partir dos anos 90 as inovações se sucederam com tal velocidade que as gerações mais novas aprenderam a conviver com elas.

A música para um boomer era vinil. E pronto. Adoráveis capas, o cheiro da bolachona preta. Era o presente do namorado. Cabia a dedicatória, manuscrita, claro. Para um millennial, no entanto, virou CD, DVD, MP3 player, MP4 player, stream.

Cinema era cinema. O mesmo de sempre, programa de sábado, aliás era o começo de qualquer programa: “vamos ao cinema e depois a gente decide o resto da noite”. De um tempo para cá: VHS, DVD, Blue Ray – esse então, nem teve empo para se estabelecer de verdade, TV a cabo, Pay-per-view, Netflix.

Como assim? As coisas não são, elas estão. Isso é inovação disruptiva. É o Uber x táxis, Netflix x TV, e quantos outros exemplos poderíamos citar.

O grande desafio, particularmente para um boomer, é adaptar-se constantemente. É controlar a ansiedade de perder o controle sobre as tecnologias. É controlar a ansiedade de não conseguir dominar o conhecimento, sentir-se sempre desatualizado. Por mais que estude e que leia, perceber que, no exato momento em que pensa dominar determinado assunto, ele não será mais atual. Esses sentimentos que todas compartilhamos, boomers sentem mais.

Mas a vida é aprendizado e precisamos seguir aprendendo. Nada de apego, nada de controle. Estas são palavras do passado. É melhor respirar fundo, porque tem muita coisa nova chegando por aí!

Saboreie:

“Creio que antes do final desta década o transporte público será muito, muito diferente do que é hoje. Os carros autônomos terão seu computador de bordo aberto para download de softwares. Os felizes donos de um carro autônomo poderão ir ao trabalho ouvindo música e lendo jornal, no ipad é claro. Ao chegar ao trabalho, ligarão o modo “Uber” do carro, ou quem sabe o modo “99taxis”. Assim o carro seguirá na cidade transportando passageiros. O dono do carro autônomo não vai precisar de garagem no trabalho nem em sua casa, pois o carro ficará no modo compartilhamento enquanto seu dono não precisar usá-lo. Quando a bateria do carro estiver pra acabar ele vai se auto-abastecer via indução nos postos do futuro, e depois continuará sua jornada. Dica aos taxistas: ainda faltam 5 anos até o final da década, dá tempo de buscar novos desafios de carreira.” (Henrique von Atzingen, executivo de mobilidade da IBM Brasil.)

Marina

Marina Ribeiro, aprendendo e empreendendo desde 1964. Atualmente empreendendo na Marré deci, loja de produtos para bebê que tem a missão de empoderar crianças e adultos.

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