Quer ganhar dinheiro? Colabore! [Parte 2]

Por Thaiz Leão*

A vida é feita de várias coisas, dentro e fora do nosso controle… mas nós, de dentro pra fora, do eu aos outros: somos a ferramenta daquilo que nos importa.

Talvez, talvezzz, esteja na hora de parar, refletir e começar a conscientemente se importar com as coisas certas, mesmo que isso canse (ainda mais se isso cansa).

Como já havia dito, no primeiro artigo dessa série, o que realmente importa é a vida, por isso tudo-tudo-tudo deve ser feito com o intuito de dar continuidade ao desenvolvimento pleno, sadio e democrático dela.

E a vida (lá vou eu de novo…) é nosso constante e indefinido contato com o “espaço do presente”. Nossa existência nesse espaço, conceitualmente falando, existe com base nas inúmeras relações que criamos e vivemos com as coisas, os símbolos, as culturas, as pessoas, e por ai vai.

A gente na necessidade de existir com alguma folga psíquica, hierarquiza essas relações que vivemos com absolutamente tudo no mundo segundo o grau de que damos de importância a cada coisa. Existem pessoas que se importam muito consigo mesmas e pessoas que se importam muito com os outros, pessoas que se importam com o consumo de carne e pessoas que consomem sem se importar, pessoas que vestem roupas feitas de algodão orgânico de cooperativas do agreste e pessoas que compram roupas na C&A…

Esses são alguns exemplos de relações de importância, mas com certeza não são todos, bem longe disso alias. Se desenhássemos a teia que envolve tudo com o que nos relacionamos chegaríamos em uma forma uniforme que nem saberíamos onde terminar as bordas. É simplesmente inacessível.

Como nós, mães, entendemos bem de sobrecarga sabemos que é antinatural conseguir dar conta de tudo, por isso comumente a solução que encontramos é cuidar do que der e torcer pra que o restante dos seres humanos se dividam bem para cuidar do restante.

O problema é que, conscientes ou inconscientes disso, a gente começou a se importar com cada coisa… E é duro dizer, mas não são sempre as mais legais.

Tudo que a gente faz com a nossa vida é escolha, algumas pessoas têm mais e outras tem menos, mas todas temos a oportunidade de algumas. A gente pode decidir se vai fazer o café da manhã com o que tiver em casa ou se vai dar um pulo logo ali na padaria, se vai até a padaria, como vai? De carro, a pé ou de bicicleta? Levando ou não seus filhos? Se vai pedir para alguém ir para você, se vai comprar só pão francês ou também pão de queijo ou que se dane o pão francês, é só pão de queijo mesmo, se você vai na padaria da esquina ou se vai no mercado mesmo, se vai tomar o café por lá ou se volta para tomar em casa, se vai pela esquerda ou pela direita, por cima ou por baixo, de chinelo ou de tênis, poxa, era só ir na padaria não era? Mas nossa existência é complexa mesmo pras coisas simples, e um raciocínio total e pleno é muita demanda, por isso a gente divide.

No trabalho, que é nossa esfera de discussão aqui, a gente também tem que se relacionar pensando no complexo das coisas. Por exemplo: se o seu fornecedor de matéria-prima tá começando a te passar um produto de qualidade inferior e um outro resolveu aparecer bem agora te propondo um mais barato e melhor, o que você faz? Aceita o outro fornecedor porque o ‘mercado é mercenário e é assim mesmo’ ou dá um feedback para seu fornecedor atual e busca com ele a oportunidade de melhorar e adequar seu produto para as suas necessidades? Pode parecer que a gente fecha esse raciocínio com números, mas a questão é complexa. Por que nossas ações são determinantes na formação da maré das coisas como são, estão e vão ser.

Se você hoje é conivente com esse tal paradigma de que ‘o mercado não tem coração’ volte duas casas, o mercado é só coração. Se você acredita que o mercado é mercenário ele vai ser. A conta é simples: a coisa não muda se a gente não muda a coisa. Por que a coisa toda é a gente.

Você como empreendedora habita uma cadeia de relações complexas feita por todo mundo que participa de todas as etapas de produção e também toda a comunidade de consumo, e ressalvo aqui que eu não tô falando só dos seus colaboradores, nem dos seus fornecedores nem dos seus clientes atuais ou em potencial, eu tô falando de todo mundo que vive a experiência de mercado que você ajuda a produzir.

Essa percepção da sua potência na teia profissional tem importância, por que se 500 empresas estabelecerem uma conduta ética responsável são pelo menos 500 empresas a menos reproduzindo o mercado engolidor de vidas que abominamos.

É imperativo que as coisas mudem por que, de novo, a vida é nosso objetivo final e valorizar a vida com atitudes é o que de mais precioso nós podemos fazer pela humanidade. Assim quando você se deparar com o tal do ‘mercado’ vai perceber que nossa sociedade é feita de inúmeras relações simples e pessoais que foram ufanadas em relações globais e impessoais.

Apenas esqueça… esqueça o monstro que criaram para explicar o mercado, os consumidores e até mesmo o dinheiro, lembre-se apenas que quando fazemos algo a gente tá oferecendo isso a um mundo de outros tantos bilhões de pessoas como eu e você. E que a gente tem que se respeitar, se entender e ir pra frente.

Cansa? Cansa. Mas também né, fazer tudo pautada em valores éticos constantemente e com afinco é esforço proporcional ao de tentar mudar o rumo de um rio com uma colher, pelo menos no mundo que vivemos hoje.

Mas ó, é cientificamente comprovável que qualquer coisa inteira não é nada mais que o agrupamento de outras tantas coisas pequenas, por isso com muitas outras colheres a gente pode até conseguir um trator ou melhor: nosso próprio rio.

😉

Thaiz Leão

Thaiz Leão, Mãe, designer, ilustradora e velha enrustida. Autora da Página Mãe Solo e fundadora do coletivo Nós. Quando pode estuda e dedica-se ao melhor aproveitamento da potência humana. Por aqui fala de colaborativismo e das questões que o cercam, por ai a gente já não sabe. =D

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