A Semana Mundial de Aleitamento Materno, a Produtividade e o Emprego das Mulheres (área temática do tema desse ano!)

Por Carolina Paixão

Ahh a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) é emocionante! Ver minha timeline do Facebook tomada de imagens de mães amamentando. Recém-nascidos, crianças com 2 anos e até com 5! E mães amamentando gêmeos? É muito empoderamento. Informações super importantes sendo compartilhadas. Como se preparar, onde pedir ajuda, desafios, importância nutricional, imunológica, de afeto, de vínculo.

No entanto, pouco tem se falado sobre o tema da SMAM 2016: Aleitamento Materno: presente saudável, futuro sustentável. Logo quando eu li o tema, fiquei bastante curiosa e trago aqui um pouco do que me chamou atenção.

Segundo a WABA – Aliança Mundial para a Ação em Aleitamento Materno – a idéia é sincronizar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno da qual essa rede de pessoas e organizações faz parte. Os ODS foram desenvolvidos pela Organização das Nações Unidas onde governos ao redor do mundo se comprometem a cumprir até 2030 ações que envolvem ecologia, economia e equidade. Os documentos publicados pela WABA estão disponíveis nesse endereço: http://www.ibfan.org.br/site/eventos/smam/folder-smam-2016-presente-saudavel-futuro-sustentavel.html

Esse documento é tão interessante! Ele descreve os objetivos da SMAM (informar, ancorar firme, estimular e envolver), além de descrever quatro áreas temáticas interligadas aos ODS, descrevendo em cada uma delas um cenário imaginário, fatos e estatísticas e o que mais me animou: exemplos de ações que qualquer pessoa pode tomar, independente de onde você esteja trabalhando, que incluem parcerias sustentáveis e leis. Sim, porque amamentar é um ato extremamente político no nosso contexto atual! E, diante dessa afirmação e dos objetivos da nossa rede, trago mais detalhadamente a área temática 4: PRODUTIVIDADE E EMPREGO DAS MULHERES.

Nesse tema estão concentrados, para termos uma ideia de sua importância, seis ODS: Erradicação da Pobreza (1), Educação de Qualidade (4), Igualdade de Gênero (5), Trabalho Decente e Crescimento Econômico (8), Indústria, Inovação e Infraestrutura (9) e Redução das Desigualdades (10).

O cenário, muito bem descrito e embasado cientificamente, é esse que conhecemos tão bem. Licença maternidade curta, retorno a um esquema de trabalho que não permite a amamentação exclusiva até 6 meses, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza (muitas vezes são necessários o uso de mamadeira e leite artificial), que não tem flexibilidade para que a mãe ordenhe seu leite, que terceiriza os cuidados com as crianças. Que resulta em menos tempo de cuidado, menos amamentação, crianças mais doentes, mães menos produtivas. Aumenta os custos familiares com alimento e doenças. Em contrapartida, o documento destaca:

“…em todo o mundo, os governos estão enfatizando a participação das mulheres na força de trabalho como uma solução para o crescimento econômico, a igualdade de gênero e a redução da pobreza.” (WABA, 2016)

Então como desenvolver sustentavelmente, inclusive no âmbito feminista, para que seja possível garantir a amamentação e os direitos da mulher? Dilema que nos persegue, principalmente, no momento de retornar ao mercado de trabalho.

O documento aponta a necessidade de reconhecer o trabalho não pago das mulheres com as tarefas domésticas como fundamentais para a saúde, o desenvolvimento e bem-estar de todos os membros da família e “…apoio para combinar seus papeis produtivos e reprodutivos incluindo a amamentação, através da licença maternidade paga, as pausas remuneradas para amamentar, de trabalho com horários mais flexíveis e as salas de apoio a amamentação no local de trabalho.” (WABA, 2016).

Eu incluiria o apoio e o fomento ao empreendedorismo materno. No entanto, eles trazem um dado muito importante:

“Cerca de 830 milhões de mulheres, principalmente em paises em desenvolvimento, não tem proteção social no trabalho. As mulheres são muitas vezes forçadas a aceitarem má remuneração, e empregos de baixa qualidade.” (WABA, 2016)

Me pergunto, diante desse choque de realidade, qual o papel do empreendedorismo materno para mudar esse cenário. Além de ser uma postura política, dizer que não queremos fazer parte desse mercado de trabalho que não permite que nossos filhos cresçam de forma saudável e, porque não dizer, sustentável, o que meu empreendimento pode fazer para que essas 830 milhões de mulheres não sejam FORÇADAS? Eles nos oferecem alguns caminhos que eu trago para o olhar do empreendedorismo materno:

1. Descubra e desenvolva políticas de proteção a maternidade em seu contexto social. Existem mulheres unidas para fortalecer outras mulheres, brigarem por seus direitos, projetos de leis em andamento, políticos comprometidos. Você os conhece?

2. Proteja em todos os níveis e entre os setores, as necessidades e os direitos de proteção à maternidade das trabalhadoras, seja nos setores formais ou informais. Observe se a mão de obra, a matéria prima usada por você no seu negócio protege ou não a maternidade e as mulheres. Divulgue, compartilhe informações.

3. Promova políticas de proteção à licença parental remunerada de igualdade de gênero, abrangendo a tríade de cuidado e que apóiam a amamentação. Seu negócio apoia essas políticas? Você tem funcionários e pensa sobre isso? Reconhece seus direitos? Cria formas de melhorar essa relação parental?

4. Se envolva no seu entorno. Converse com empregadores. Promova transformações no local de trabalho ou no ambiente escolar de seu filho, de seu funcionário.

Promova alianças, parcerias. Informe seus consumidores que você está preocupada com o impacto coletivo da falta de políticas para o tema. Se coloque politicamente. Que tal começar com a nossa rede?

Só para te deixar mais curiosa e dar uma olhada nesse documento, as outras três áreas são:

1. Nutrição, Segurança Alimentar e Redução da Pobreza
2. Sobrevivência, Saúde e Bem-estar
3. Meio Ambiente e Mudança Climática

 

WABA. Semana Mundial de Aleitamento Materno. Aleitamento Materno: Presente Saudável, Futuro Sustentável. 1 – 7 de agosto 2016. Disponível em: http://www.ibfan.org.br/site/wp-content/uploads/2016/07/Folder-de-Ação-WABA_Brasil_SMAM-2016.pdf

1 comentário
  • Responder Drica

    06/09/2017, 07:17

    Eu sou fascinada por este universo feminino poderoso!
    Sou mãe, empreendedora e trabalho em casa desde que minha filha tinha 01 aninho, por opção minha saí do emprego para cuidar dela (hoje ela tem 12 anos, maravilhosa!!!).
    Infelizmente eu não tive muito leite, consegui amamentar só até os 04 meses de vida dela, mas mesmo assim valeu todo o esforço que fiz para tentar produzir mais leite.
    Mas, para as mamães que tem o privilégio de poder amamentar seus filhos, Parabéns! e aproveitem muito esta fase maravilhosa.
    Amei o site de vocês e esta proposta que vocês mostram aqui para as mães empreendedoras.
    Parabéns!
    Beijinhos

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