O que pode ser feito em 7 minutos?

Quem cozinhava na sua casa? Quem passava aspirador? Quem lavava a roupa, o banheiro, as crianças? Na minha casa, sempre foi a minha mãe. Quando não ela, as minhas avós. Até as tias-avós ajudavam em ocasiões especiais. Eu já era crescida quando percebi que todas essas mulheres da minha família não tinham fim de semana ou férias. Mesmo no dia de Natal, na praia, no domingo de noite lá estavam elas cozinhando, arrumando, lavando, enquanto os homens curtiam seu merecido “descanso do trabalho”.

Trabalho doméstico é a última fronteira para as mulheres. Em todos os outros aspectos, a igualdade de gênero caminhou a passos largos: mulheres estão mais livres, mais educadas e têm mais direitos do que nunca antes na história da humanidade (mesmo que esteja difícil de se lembrar disso ultimamente). Mas vai tentar botar um homem para cuidar da casa para ver o que acontece.

De acordo com o estudo State of the World’s Fathers, sobre a participação de pais nas famílias, no mundo todo, são gastos 16,4 bilhões de horas em trabalho doméstico – o equivalente a 2 bilhões de pessoas trabalhando 8 horas por dia sem receber nenhum salário. A grande maioria desse trabalho é feito por elas, é claro. Em média, no mundo
todo, uma mulher gasta 4 horas em serviços do lar todos os dias, contra apenas 2 horas e meia do homem. São os dois tempos de um jogo de futebol. Mas o dado realmente aterrorizante é o quanto que essa diferença não muda.

Mesmo com os recentes movimentos feministas e os novos arranjos familiares, nos últimos 15 anos, a diferença de tempo gastos nos afazeres domésticos entre homens e mulheres caiu apenas 7 minutos nos países industrializados. Sete minutos em 15 anos. Sete minutos é o tempo que se gasta limpando o fogão, por exemplo – e foi apenas isso que os homens começaram a fazer a mais na última década e meia. Chega a ser engraçado.

O relatório coloca uma meta para os homens: fazer 50 minutos a mais de tarefas por dia. Basta isso para que os serviços comecem a ser feitos meio a meio. Parece pouco, mas sabemos como é difícil mudar hábitos e expectativas tão arraigadas. No atual ritmo de mudanças, só as nossas tataranetas é que estarão vivas para ver esse
pequeno milagre acontecer.

@karinhueck é jornalista e escritora, e pesquisando licença parental na Universidade Livre de Berlim

Deixe um comentário