Ajudar não! Dividir tarefas

Aos poucos as coisas estão mudando, mas não o suficiente. Mulheres ainda são, em sua maioria, as principais responsáveis pelo cuidado com as crias e a casa. Não é mimimi ou reclamação demais, em uma pesquisa realizada pela National Survey of Families and Households, as mulheres contribuem com 64% do total de horas de trabalho doméstico, enquanto os maridos com 30%, ou seja, as coisas estão um pouco longe do ideal.

Se você trabalha fora ou em casa, não importa, esse problema sempre será fruto de muitas brigas, desentendimentos e saúde mental indo pro saco. Pode ser que o seu companheiro divida as tarefas, mas a pesquisa mostra que ainda muitas mulheres passam por essa situação, e é sobre isso que quero falar aqui.

Cuidar da casa, sair para trabalhar, voltar, ter de cuidar da janta/almoço, do bebê, das tarefas domésticas é cansativo demais. Quando se trabalha em casa, as pessoas acham simplesmente maravilhoso e dizem o quanto você é sortuda por isso, como se o empreendedorismo fosse um mar de rosas. Além de todo trabalho, ainda tem as tarefas domésticas, não é nada fácil ser uma mulher que tem de dar conta de tudo e sorrir ao final do dia, o cenário atual não permite muito isso.

Já ouvi relatos de mulheres que não tinham sequer uma “ajuda” do companheiro e ainda eram taxadas de preguiçosas por não conseguirem fazer tudo sozinhas, afinal, eram elas que passavam o dia todo em casa, adivinha só, trabalhando. São duas funções, duas delas não são remuneradas e a outra, bom, estamos lutando para que nosso trabalho seja reconhecido… e que luta!

E tem uma fórmula mágica para que essa divisão de tarefas aconteça?

A resposta é: Não! Vivemos numa sociedade machista que por mais interessada em tentar mudar a realidade, ainda existem algumas cositas estruturais (essas são difíceis pra caramba) de desconstruir. Mas pensando e pesquisando bastante sobre o assunto, encontrei algumas sugestões que podem ajudar, a missão aqui não é pegar na mão e ensinar, mas mostrar (infelizmente) que você precisa de auxílio. Então, lá vai!

  1. Você não é super-heroína

E não é mesmo. O famoso “guerreira” só perpetua que podemos fazer tudo sozinhas e nos colocam como as fantásticas, mas não veem que por dentro, estamos cansadas demais e gritando por socorro. Então, reconhecer que você não consegue abraçar o mundo, pode ser uma bela sugestão aqui. “Ah, mas tal pessoa não sabe nem lavar o banheiro”, é… pode não saber, mas você pegar a vassoura e mostrar que sabe fazer melhor só dá aquele aval pra tal pessoa continuar a não saber. Óbvio, você não é obrigada a ensinar ninguém o básico e nem culpada por isso acontecer, que fique claro, mas a ideia com este tópico é: Amiga, relaxa!

  1. Converse e muito!

Simples assim, que nada. Com a correria a gente sabe que sentar e conversar sobre como estamos nos sentindo passou a ser uma “perda de tempo”, ou não tão necessário, mas uma conversa é importante. Por mais que a gente ouça a famosa: “Ah, mas você não me falou que precisava de ajuda”,(mas precisava falar, gente?), a conversa é importante. O exercício aqui é mostrar que com uma conversa, tudo pode aos poucos ir se alinhando.

  1. Você faz isso e eu aquilo

Subjetivo, mas necessário. Você pode ser melhor em dar de mamar (ta dá) e a outra pessoa em fazer um arroz, ótimo, já tem uma divisão super bacana aqui e tem a ver com comida. Você pode ser ótima em lavar a louça e outra pessoa em secar. Dividir pelas tarefas com mais afinidade pode ser bastante interessante e dar super certo. Pode ser que o arroz fique horrível? Pode, mas a prática leva a perfeição.

Como dito mais acima, as pessoas tendem a criar conclusões de uma realidade que não vivem e isso pode acontecer dentro de casa. Você também trabalha muito, oras. Casa, filhos e seu trabalho são funções pra caramba (e a gente sabe disso), mas as pessoas a nossa volta não. Não estou dizendo que você tem de provar que está carregando a casa nas costas, mas como já falado, conversar e reconhecer que seus braços são curtos demais para abraçar o mundo, pode ser uma solução muito viável ao caminho da desconstrução, dele, não sua.

Por fim, não é nada fácil e eu te entendo muito, afinal, somos mães e ter empatia com a vivência de outras mulheres na mesma condição que a nossa, deveria ser automático, mas infelizmente textos como este ainda são necessários.

O contexto aqui foi todo retratado em cima de vivência de pessoas que têm uma união estável e estão numa relação heterossexual, mas e as mãe solo nesta conta? Bom, no próximo texto, irei falar sobre vocês! Não perca.

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Jo Melo, é mãe do Juan, pesquisadora e profissional de Marketing. Ativista pelos direitos das mães e contra a romantização da maternidade, luta por uma sociedade mais justa para mulheres e seus filhos, ama plantas, detesta julgamentos.
É fundadora da Revista Mães que Escrevem.

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