Maternidade e mercado de trabalho, uma jornada nada fácil

Depois que você é mãe, ter de voltar ao mercado de trabalho parece ser uma das piores e mais dolorosas tarefas a se fazer e muitas confirmam que é mesmo.
Algumas pesquisas afirmam que depois que se é mãe, as mulheres são ótimas funcionárias, mais responsáveis e são as que mais têm inteligência emocional para lidar com equipes, mas o machismo e até a romantização materna que paira na
nossa sociedade, faz com que muitos empregadores acreditem que a partir do momento que somos mães, nossa única função na vida deverá ser somente essa.

Para quem está procurando um emprego, a mesma coisa. Quem nunca passou pelo constrangimento de ser questionada sobre o cuidado com os filhos? O mais interessante (e muito triste), é que esse tipo de constrangimento não foi
relatado por homens, e o motivo a gente já sabe qual é.

Numa pesquisa realizada pela MindMiners com mais de 500 mulheres que são mães sobre o mercado de trabalho, 34% delas estão em regime CLT, seguido de 24% sem trabalhar, as demais porcentagens estão divididas entre PJ e
Empreendedorismo. Os principais fatores da baixa de mulheres mães no mercado se dá pelo preconceito.

Veja um exemplo muito comum:

Desigualdade em números

Se o problema não está na contratação, ele se dá no ambiente interno de trabalho, em relatório produzido pela MindMiners, 30% das mulheres declarou ter sofrido algum preconceito por causa da gravidez. Outras 28% tiveram problemas psicológicos por conta de pressão no trabalho e estabilidade.

Outro fator importante é sobre salário, as mulheres ocupam 52% da força de trabalho no Brasil, se destrincharmos esse número, temos mulheres que são mães e as que não são, além disso, questões como raça e etnia também entram.
Em uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2018, a média salarial de uma mulher sem filhos é de R$ 2.115,39, já para quem é mãe, esse valor cai para R$ 1.560,50. Uma diferença e tanto, não é mesmo?

Partindo para o empreendedorismo materno

Diante de inúmeras e cansativas tentativas de voltar ao mercado de trabalho, sofrer preconceito e por querer estar perto dos filhos, muitas mulheres “optam” pelo empreendedorismo e aí começa outra jornada que também é muito cansativa.

Mas o preconceito não para por aí. Trabalhar de casa é mais um motivo para que pessoas que não conhecem a realidade de uma mãe, digam que ela “não está fazendo nada”, mas não se dão conta que estar em casa o trabalho redobra, pois tem a maternidade, casa, e claro, o seu trabalho. Em qualquer uma dessas situações, a mulher sempre será julgada. Não adianta o que façamos, sempre terão pessoas que acreditam que a vida de uma mãe é sempre mais fácil, afinal, o que é trocar uma fralda? É simples, rápido e fácil (doses de ironia).

Diante de tantos dados e fatos, podemos concluir que ser mãe não é padecer no paraíso, porém, diante de tantos percalços, temos projetos que auxiliam essas mulheres nessa nova jornada, espaços de desabafo, acolhimento e ajuda, a Maternativa é uma delas. Além disso, muitas mulheres que são mães estão criando soluções para as empresas, levando a história maternidade e educando líderes para que o espaço de trabalho seja muito mais empático e acolhedor e nós estamos aguardando essas mudanças.

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Jo Melo, é mãe do Juan, pesquisadora e profissional de Marketing. Ativista pelos direitos das mães e contra a romantização da maternidade, luta por uma sociedade mais justa para mulheres e seus filhos, ama plantas, detesta julgamentos.
É fundadora da Revista Mães que Escrevem.

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