AS MÃES PODEM CONQUISTAR MUITO MAIS ESPAÇO NO MERCADO DE TRABALHO E PARA ISSO PRECISAMOS FALAR DE FLEXIBILIDADE!

Em setembro de 2019 a Maternativa realizou uma pesquisa que levantou os medos e desafios das mulheres desde o desejo de engravidar, passando pela gestação até o retorno e continuidade no trabalho após a chegada dos filhos.

Apresentamos os resultados dessa pesquisa no Fórum WEPS da ONU Mulheres para que todas as empresas presentes tivessem acesso a esse conteúdo e pudessem refletir sobre a importância de desenvolver estratégias para ampliar o equilíbrio de gênero no mercado de trabalho.

Hoje queremos trazer um ponto importantes dessa pesquisa e provocar uma reflexão para as empresas e para sociedade : FLEXIBILIDADE e como ela pode ser uma importante estratégia para aumentar a participação de mulheres mães nas empresas.

Na pesquisa Maternativa, a falta de flexibilidade no trabalho foi apontada como o principal medo e desafio por 80% das 700 mães trabalhadoras respondentes e por 60% das mulheres que queriam engravidar.

A busca por flexibilidade é um desejo crescente aos trabalhadores do mundo independente do gênero. Uma pesquisa feita pelo International Workplace Group (IWG) – empresa de espaços de trabalho – com 15 mil diretores, funcionários, consultores e empreendedores de 80 países, inclusive o Brasil, apontou que 83% dos entrevistados acreditam que a flexibilidade é um argumento decisivo na hora de escolher uma proposta de emprego. A busca por qualidade de vida está no centro da motivação.

Um dos pontos é encurtar o deslocamento para o escritório e evitar o trânsito. No Brasil, em cidades como São Paulo esse deslocamento dura, em média, três horas, segundo a Pesquisa de Mobilidade Urbana na Cidade, do Ibope Inteligência.

Para as mães as questões são mais amplas. Todos os dias, talvez até a cada hora elas se alternam entre os vários papéis que desempenham: mulher, profissional, mãe.

Isso porque embora já possamos sentir ventos de mudança,  na nossa estrutura social as mulheres são as principais cuidadoras e é atribuído a elas a responsabilidade por todo trabalho domestico na grande maioria dos lares.

No Brasil, segundo o IBGE em 2018 as mulheres dedicaram quase o dobro de horas por semana com afazeres domésticos e cuidado de pessoas.

No modelo de trabalho mais comum, com jornada de 8 horas dia, com 1h de almoço, mais o tempo de deslocamento ao trabalho, que em uma cidade como São Paulo consome outras 3 horas, uma pessoa teria que estar 12 horas fora de casa. Considerando uma noite com 8 horas de sono restariam apenas, 4 horas para fazer todo o trabalho da casa e cuidado das crianças.

Na atual estrutura da nossa sociedade esse modelo de trabalho normalmente permite que apenas um parceiro, geralmente o homem, tenha uma carreira satisfatória. Alguém precisa estar em casa, levando e buscando as crianças a escola, preparando as refeições, mantendo a casa limpa, as roupas lavadas, a dispensa abastecida e oferecendo cuidado e apoio emocional  e físico aos filhos.

No caso de ambos buscarem uma carreira igualmente satisfatória, a opção passa por terceirizar completamente o cuidado do dia a dia das crianças e da casa. Essa é uma  opção cara, sem contar a dificuldade de conseguir uma escola ou uma babá/ cuidadora com duração de 12 horas dia. Geralmente é mais caro ambos os pais trabalharem do que um deles ficar em casa.

Sabemos quem fica com essa responsabilidade e não precisamos explicar o quão difícil é  para uma mãe ter que fazer essa escolha: cuidar pessoalmente  dos filhos abrindo mão de suas carreiras ou terceirizar o cuidado e poder tentar competir no mercado de trabalho.

Um importante capitulo reflexão envolve 11 milhões de brasileiras, para elas a luta vem em dobro. São mulheres que criam os filhos sozinhas. Segundo os dados mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das famílias comandadas por mulheres, 56,9% vivem abaixo da linha da pobreza e o número de crianças sem registro do pai na certidão de nascimento é de 5,5 milhões.

Imagine como opções flexíveis são fundamentais para essas mulheres que  já fazem um grande esforço para conseguir cuidar dos filhos e da casa, fazendo, muitas vezes, jornadas de trabalho complexas para dar conta sozinhas do orçamento familiar.

As mães que trabalham sentem-se  puxadas em direções opostas. Elas trabalham duro e, quando trabalham, se dedicam ao máximo em seus empregos e enfrentam a dificuldade de equilibrar a atenção e os cuidados que  precisam e querem dedicar a um filho, com a atenção e os cuidados que precisam e querem dedicar ao trabalho.

As mulheres podem ter tudo, mas precisamos começar a definir os termos do acordo.

Se mães que trabalham tiverem a flexibilidade necessária para se dedicarem tanto à vida profissional quanto à pessoal poderemos começar a ver no mercado de trabalho parte da mudança necessária. Outra parte da mudança, passa por oferecer também a flexibilidade e outros benefícios que incluam mais equidade de gênero e coloquem os homens como responsáveis iguais no cuidado dos filhos e do trabalho doméstico.

As mulheres mães podem e muitas querem trabalhar tão duro e ter igual oportunidades de crescimento de carreira quanto os homens, mas como a maioria das responsabilidades domésticas ainda recaindo apenas sobre as mulheres, elas precisam de flexibilidade para fazer tudo funcionar e precisam que as empresas de comprometam em funcionar como um local onde a equidade de gênero é levada realmente a sério e não seja tratada apenas como discurso e praticas tímidas.

Essas mudanças precisam fazer parte da estratégia das empresas e serem um compromisso primordial da alta direção.

Para garantir equidade de gênero no mercado de trabalho temos que falar de PARENTALIDADE !

 

 

Texto: Vivian Abukater
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